INTRODUÇÃO
O desafio proposto ao curso
de Pedagogia, cujas disciplinas norteadoras são: a Didática da Alfabetização e
do Letramento, e também, a História da Educação e da Pedagogia, tendo como
objetivo analisar sistematicamente a trajetória histórica da Educação Infantil
no Brasil, observando seus avanços, retrocessos e desafios.
Para melhor desenvolvimento
deste trabalho, optamos por descobrir como surgiram as primeiras formas de
educação e a profissionalização docente, bem como investigar o passado destes
que fizeram ou ainda fazem parte desse processo chamado: Educação.
Diante do exposto, a
finalidade desta atividade, é a de nos levarmos a compreender os obstáculos
superados por esses profissionais para continuarem exercendo seus cargos até
hoje, sobretudo, no que diz respeito à ação pedagógica dos mesmos que atuam ou
atuaram na educação infantil. Sendo assim, promoveremos a reflexão crítica
sobre as mudanças históricas relacionadas aos métodos, abordagens e até mesmo o
ensino da língua escrita.
Através do desenvolvimento
dos passos propostos, tentamos encontrar razões pelas quais, possamos repensar
ou rever nossos próprios conceitos sobre a Educação Infantil no Brasil e a
profissionalização do professor, de como era e para onde está caminhando nos
dias atuais.
Desde já, agradecemos a
todos que se dispusera a colaborar na realização deste trabalho, o qual tem por
cunho histórico e biográfico, identificar os Métodos aplicados ainda nos anos iniciais da alfabetização.
A
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO INFANTIL E A PROFISSIONALIZAÇÃO DOS PROFESSORES NO
PANORAMA DO MAGISTÉRIO.
O surgimento da educação infantil ou modo como
lidar com crianças, começou ainda na Idade Média. E sua forma de ensinar, era
baseada nas tradições e costumes da antiguidade, onde a criança aprendia
através da experiência ou exemplo do adulto. Porém, este privilégio não se dava
a todos, somente aos filhos homens e de família rica. Meninas, pobres ou
deficientes, eram excluídos e, portanto, não gozavam do mesmo direito.
A condição da criança no contexto
social, até este momento da História, era considerada nula. Sendo, pois, o pai
quem decidia sobre a vida e até mesmo a morte da mesma, fazendo assim valer seu
poder patriarcal.
Embora tenha sido um
processo lento, só a partir da ascensão do cristianismo pela Europa e pelo
resto do mundo, é que a sociedade passou a ver a criança com outros olhos.
Já a história da nossa
Educação, inicia-se ainda no período colonial (1500), quando os portugueses por
aqui chegaram e assim descobriram o Brasil. E com sua “Companhia de Jesus”,
tentaram ensinar aos índios suas lições de Catecismo. No entanto, este método
não deu certo, porque os jesuítas foram expulsos durante as reformas pombalinas
e com isto, ficou a cargo da coroa, através de suas Cartas Régias, institui o
ensino ou ditar suas lições pedagógicas.
E por quase 300 anos na
história do Brasil, o panorama da Educação não mudaria: enquanto, os homens
brancos estudavam nos colégios religiosos ou iam à Europa, os homens pardos,
mestiços, negros (na maioria escravos) e mulheres, não tinham quaisquer
direitos à educação.
Mesmo com a vinda da Família
Real para cá, nossa educação continuou a ter papel secundário, porém, já
começava a cogitar na Assembléia Constituinte, algumas propostas para mudar
este quadro.
Em 1827, seria aprovada a
lei sobre o Ensino Elementar, que determinava a criação de “escolas em todas as
cidades, vilas e lugarejos” e também “escolas para meninas”. No entanto, esta
lei fracassou e houve então, em 1834 a reforma que fazia com que o ensino básico,
secundário e de formação dos professores ficasse a cargo das províncias.
Enquanto o Ensino Superior ficou aos cuidados do poder central.
A profissionalização do
educador brasileiro começava a tomar novo rumo, a partir de 1835, quando fundar
- se- ia a primeira escola de formação de professores, no Rio de Janeiro: a
“Escola Normal” ou “Normalista”, como ficou conhecida.
Já a Educação Infantil,
começou mesmo a ganhar forças, por volta da década de 1970, quando surgiram
então as primeiras creches, com foco totalmente assistencialista, onde visava
apenas o “cuidar”. Mas seu reconhecimento só veio mesmo, em 1988, quando a
Educação Infantil teve sua inclusão na Constituição brasileira.
E de lá para cá, a Educação
Infantil tornou-se o primeiro acesso dos nossos pequenos para a alfabetização e
para o aprendizado da escrita. Sendo hoje em dia o seu ingresso na vida escolar
a partir dos quatro anos de idade. Também a sociedade passou a reconhecer
nossas crianças como elas realmente são: cidadãs.
Como já disse Rainer: “A
função de ensinar é muito anterior ao processo de criação das primeiras
instituições educadoras da História. Antes mesmo que a escrita fosse
desenvolvida, tiveram a importante função de repassar aquilo que era
considerado importante. Instigado pela simples imitação ou pelo relato oral, o
homem conseguiu produzir e difundir as mais variadas maneiras de se relacionar com o mundo que o
cerca.”
Em conversa realizada com
profissionais da área da educação, procuramos saber
como anda a Educação Infantil aos olhos de cada um, as razões que os
levaram para a carreira docente, os métodos e didáticas utilizados por eles.
Para termos todas estas respostas, então conheçam os nossos
depoentes que por sinal são mulheres e simplesmente amam o que fazem e não se
imagina fazendo outra coisa.
Entrevistada 1
Tempo
de atuação na área?
Estou nesta área á 28 anos, sendo
24 anos de carteira assinada, e mais 4 anos como ajudante de classe sem
carteira (trabalhava em uma escola perto da minha casa, como era de menor não
tive a carteira assinada).
Por
acaso já trabalhou ou quis seguir outra profissão?
Não. É meu ministério. Minha
vocação.
Sua
formação?
Venho do extinto “curso de
formação em Magistério” quando ainda era dado no Ensino Médio. Lembro – me que
para as meninas, era o Magistério e para os meninos o curso de Contabilidade.
Depois fiz o Normal Superior e recentemente, conclui meu curso de Pedagogia.
Mas vale ressaltar que os diplomas sem a vivência, para nada valem. Por que em
se tratando de Educação é a sala de aula que faz o professor. O que se aprende
nos cursos e universidades só vêm a acrescentar.
Quais
as razões ou circunstâncias que te levaram para a carreira docente?
Desde o ventre de minha mãe
sou professora. É meu ministério. Chamado de Deus para minha vida. Amor eterno.
Por
que a sociedade e os homens não vêem essa área como uma carreira atrativa?
Não é o olhar dos homens e
sim uma cultura imposta desde o séc. XIX.
É uma carreira vista como feminina por ser “cuidados” com crianças. A
própria sociedade rejeita o homem na educação infantil. E também tem o lado
financeiro. Embora, podemos ver hoje, lentamente homens sendo introduzidos nas
UMEI’s.
Quais
as dificuldades encontradas ao longo do caminho?
A maior dificuldade é
conscientizar as famílias de que elas fazem parte do processo de aprendizagem
de seus filhos, que a escola não educa ela é um complemento de ensino
acadêmico. As famílias ultimamente nos vêem como inimigas e não como parceiras.
Escutam mais as inverdades dos filhos do que as verdades da escola. E a falta de limite às crianças.
Qual foi a real motivação que te fez continuar
nessa área?
Como lhe disse na questão acima. É o profundo
amor que tenho pela educação. Fui chamada por Deus para exercer meu dom com
dedicação e muito amor.
Conte-me
um pouco de maneira sintetizada, sobre sua rotina em sala: onde trabalha,
quantos alunos tem, faixa etária, série ou coisas desse tipo.
Trabalhei 23 anos em sala de
aula, já passei por quase todas as series da Educação Infantil e por todas do
Fundamental 1. A 5 anos estou na
Coordenação Pedagógica do Fundamental 1. Nunca tive sala de aula com menos de
25 alunos e minha rotina era o dia a dia normal da área da educação. Como
coordenadora ainda vou para sala quando falta professora e sigo a rotina normal
de uma sala de aula. Na coordenação minha rotina..., na verdade na área da
Educação não temos rotina, você tem que ser resiliente e polivalente a cada
dia. Pois, é um dia completamente diferente do outro.
Quais os métodos ou didáticas aplicados por
você para favorecer a aprendizagem de seus alunos?
O professor tem que ter conhecimento teórico
de todos os métodos e domínio de didática, pois a cada dia temos em nossas mãos
salas heterogêneas e muitas vezes precisamos lançar mão de vários métodos,
pois, cada crianças é única, cada uma com sua especificidade, cada uma no seu
tempo de aprendizagem. Às vezes, um método que você utiliza somente 90% da
turma compreende e o restante fica “boiando”. Hoje os educadores têm que ter
olhos de águia, tem que ser dinâmicos e conhecedores das teorias educacionais
para conseguir o máximo da aprendizagem de seus alunos.
De que
forma você aprendeu a ler e a escrever?
Através das cartilhas da
Lúcia Casa Santa. Junto com o método fônico.
O que há de diferente ou novo, da forma em que
ensina para a forma em que você foi ensinada?
Tudo. Os tempos são outros,
as exigências são outras, o mundo é outro. Hoje em dia, com o excesso de
informações e a revolução tecnológica os professores precisam estar muito mais
capacitados e antenados, pois, você não consegue prender a atenção de uma
criança do séc. XXI com as cartilhas.
Puxando pela memória, e voltando um pouco ao
passado, como era a escola onde você estudou, os professores e os métodos de
ensino-aprendizagem que te ajudaram a aprender?
Toda a minha vida estudei em um colégio
tradicional. O ensino era bem tradicional como dizemos hoje em dia era “cuspi”
e giz. Os conteúdos eram enfiados “guela abaixo” e quem aprendeu, aprendeu. Quem
não aprendeu repetia o ano.
E
você, alguma vez repetiu de ano?
Nunca. Sempre gostei muito
de estudar então, sempre corri atrás do conhecimento.
De lá
para cá, o que realmente mudou em relação à profissão? E o que mudou com
relação à Educação como um todo no Brasil (avanços, retrocessos e desafios)?
A área da educação é muito
interessante. Ela é constantemente desafiadora. Sofreu muitos avanços, mas
também teve retrocessos. O Brasil é muito cheio de modismos e tudo que chega de
fora que é novo aceita-se como verdade absoluta e não existe um verdadeiro
debruçar em estudos para ver se é possível trabalhar desta forma aqui. Um
exemplo, no fim da década de 80 e princípio de 90, houve o “bum” do
Construtivismo, abandonou - se tudo de bom que existia e introduziram o
construtivismo de qualquer maneira. Houve uma queda muito grande na qualidade
da educação, um certo atraso na alfabetização, ocasionando a queda do índice do
Brasil na Educação Mundial. E ainda por cima sempre tivemos um governo que não
se preocupa com a educação brasileira.
E
a partir do seu ponto de vista, onde ou que precisa melhorar?
O único ponto que precisa ser melhorado é na valorização
(em todos os sentidos) do profissional da área da educação. Só assim teremos
profissionais mais qualificados e preparados para levantar a educação
brasileira.
Entrevistada 2
Tempo
de atuação na área: Sou professora à 10 anos da Educação
Infantil mesmo.
Por
acaso já trabalhou ou quis seguir outra profissão?
Não. Porque ser professor
vai muito além do que estar em sala de aula ministrando conteúdos e
principalmente ser professor na Educação Infantil.
Formação:
Sou formada em Letras a 8 anos, mas atualmente
voltei pra escola e agora estou cursando também Pedagogia.
Quais
as razões ou circunstâncias que te levaram para a carreira docente?
Fui incentivada pelo meu
pai, pois ele também é professor e sempre demonstrou amor pelo seu ofício.
Então na primeira oportunidade que surgiu para eu ingressar na área da
Educação, agarrei com bastante entusiasmo e estou até hoje.
Por
que a sociedade e os homens não vêem essa área como uma carreira atrativa?
Pois, requer uma certa sensibilidade para
notar as dificuldades dos nossos alunos em todas as áreas, suas indisciplinas,
suas birras e inclusive, falta de
estrutura do ambiente escolar, às vezes, até falta de materiais didático
( o que exige muita criatividade e disposição por parte do educador para
pesquisar e criar algo que chame a atenção do aluno). Então, acredito que seja
por achar que a profissão requer sutileza, e certos trejeitos que eles (os
homens) não possuem como nós mulheres como: paciência, flexibilidade em lidar
com a birra, contar histórias e habilidades para solucionar problemas que vão
surgindo durante o ano letivo. E também o baixo salário, os desmotivam para
seguirem na profissão.
Quais as dificuldades encontradas ao
longo do caminho?
Citar
essas dificuldades não é difícil, apesar de parecerem repetitivas. Pois, sempre
são faladas, mas nunca solucionadas, como estrutura adequada do prédio para os alunos
da Educação Infantil, falta de material didático, falta de profissionais como
Psicólogos ou Psicopedagogos e o principal, é a falta de compromisso dos pais
com a educação de seus filhos, entre outras.
Qual foi a real motivação que te fez
continuar nessa área?
Sempre
fui motivada a continuar pelos bons exemplos de profissionais que tenho na
família. E quando surgiu à oportunidade de me estabilizar na profissão através
do concurso público, agarrei a chance. E ao longo do tempo fui me identificando
mais e mais.
Conte – me de maneira sintetizada, sobre
como é sua rotina em sala: onde trabalha, quantos alunos tem, faixa etária,
série ou coisas desse tipo.
Trabalho
com as turmas de jardim I e II, com crianças na faixa etária de 3 a 5 anos de
idade. Nossas aulas são desenvolvidas através da acolhida (que é um momento
para a oração, brincadeiras, músicas e conversas informais), em seguida vêm as atividades
orais e escritas e após o recreio realiza-se mais uma atividade também e aí
faço a correção das mesmas e por fim, a entrega dos cadernos de para casa e
encerramento da aula.
Quais os métodos ou didáticas aplicados
por você para favorecer a aprendizagem de seus alunos?
Procuro
sempre planejar minhas aulas observando os erros e acertos dos métodos usados
nas aulas passadas. Então, sempre estou procurando melhorar naquilo que não deu
certo. Procuro sempre diversificar a aula, inserindo o lúdico (sucatas,
cantigas, fantoches, tudo isso, voltado para o conteúdo proposto) e sempre
falando de forma clara para que assim o educando entenda.
Como você aprendeu a ler e a escrever?
Passei
por toda a etapa da Educação Infantil (Jardim I e II), até chegar à
alfabetização. Os métodos usados eram os mais tradicionais possíveis, não havia
o lúdico nas aulas, era apenas a famosa cartilha.
O que há de diferente ou novo, da forma
em que ensina para a forma em que foi ensinada?
A
diferença é visível, hoje existe uma preocupação maior em está inserindo
projetos com temas importantes (leitura, água, alimentação, entre outros). O
uso do lúdico como forma de aprendizagem. Apesar de que, não podemos condenar
os métodos tradicionais, porque eles funcionaram sim, prova disso eu e outras
inúmeras pessoas foram alfabetizadas através deles.
De volta ao passado, como era a escola
onde estudou, os antigos professores e os métodos de ensino-aprendizagem que a
ajudou a aprender?
Relembrando
o passado, posso notar que tenho boas recordações, pois as escolas por onde
passei eram boas. Apesar de algumas não terem prédios equipados ou serem
apropriados como uma escola deveria ser; tive bons professores que apesar de
todas essas dificuldades e com seus antigos métodos, conseguiram transmitir e
me ensinar.
Alguma vez já repetiu de ano?
Não.
Sempre tive muito medo de ser reprovada e assim repetir o ano.
De lá para cá, o que realmente mudou em
relação à profissão? E o que mudou com relação à Educação como um todo no
Brasil (avanços, retrocessos e desafios)?
O
que melhorou para a profissão é que hoje é obrigatório que as escolas tenham
coordenadores, supervisores entre outros profissionais graduados para
auxiliarem o professor nesse processo de ensino-aprendizagem.
E
outro ponto positivo na Educação, foi à obrigatoriedade da inclusão das
crianças na escola, a partir de 4 anos de idade.
De
contra partida, os pontos negativos foi: a facilidade para promover os alunos
de uma série a outra; a desvalorização do profissional docente perante a
sociedade e a insegurança entre os profissionais que muitas das vezes é
agredido verbalmente e até fisicamente por pais e alunos.
A partir do seu ponto de vista, onde ou
que precisa melhorar?
Acredito
que nunca somos 100% naquilo que fazemos, mas faço aquilo que está ao meu
alcance para realizar um bom trabalho, sendo uma professora dedicada e também
preocupada em adquirir mais conhecimento para melhor transmiti - lo para meus
alunos. E é o meu desejo que o poder Público e a sociedade nos reconheçam e nos
valorize mais.
Entrevistada 3
Tempo
de atuação na área de: 5 anos.
Por
acaso já trabalhou ou quis seguir outra profissão?
Não, na verdade, nem tive
tempo pra trabalhar ou pensar em seguir outra profissão, porque é herança de
família.
Formação:
Concluindo o curso de
Pedagogia.
Quais
as razões ou circunstâncias que te levaram para a carreira docente?
São três as razões que me
levaram para essa carreira: Em 1º lugar, foi influência familiar, pois sou
filha de professores. Minha família quase toda exerce função na área da
educação; Em 2º lugar, pelas ótimas tias (professoras) que tive durante minha
educação infantil que sempre se demonstraram atenciosas e bastante amorosas
para comigo; E por último, por amar a área educacional e principalmente as
crianças. Comecei ainda com 15 pra 16 anos, sendo auxiliar de sala, levava ao
banheiro, ajudava na hora do lanche os menorzinhos e depois passei a fazer
brincadeiras e a contar histórias.
Por
que a sociedade e os homens não vêem essa área como uma carreira atrativa?
Porque a sociedade visa
sempre o status e eles (os homens) não têm paciência para ensinar como nós
mulheres os nossos pequenos. Eles pensam que as crianças não precisam aprender
e sim de brincar. De fato, a educação infantil para elas é uma grande
brincadeira sim, cheia de conceitos pedagógicos, onde a criança é instigada a
aprender brincando.
Quais
as dificuldades encontradas ao longo do caminho?
A desvalorização dos
profissionais, a falta de interesse dos pais e também as condições de trabalho
para quem estar na rede pública.
Qual
foi a real motivação que te fez continuar nessa área?
Por gostar demais do que
faço. E por amor em lidar com as crianças.
Conte-me
um pouco de maneira sintetizada, sobre sua rotina em sala: onde trabalha,
quantos alunos tem, faixa etária, série ou coisas desse tipo.
Trabalho com crianças na
faixa etária de 3 e 4 anos (1º período), minha turminha têm 6 alunos, sendo 4
meninas e 2 meninos. A escola a qual leciono é uma instituição privada. Nosso
dia a dia é bem tranqüilo, cheio de brincadeiras, rodinhas de música e
atividades pedagógicas.
Quais
os métodos ou didáticas aplicados por você para favorecer a aprendizagem de
seus alunos?
Gosto muito de trabalhar
artes com eles, e a introdução da alfabetização e letramento, faço através de
livros de historinhas e contos. Assim meus pequenos começam a conhecer as
letras, números, cores, etc. Temos horário para tudo e gosto de seguir o
cronograma pedagógico pré-estabelecido pela escola, pois valoriza e direciona
tanto o meu quanto o trabalho realizado pela instituição. Gosto também de
desenvolver junto às crianças: quebra-cabeças, bloquinhos de montar e jogo da
memória; no sistema lúdico, gosto de estimular com histórias, faz de conta,
pintura, recortar e colagem de papel. Também modelagem de massinhas para a
coordenação motora.
De
que forma você aprendeu a ler e a escrever?
Fui alfabetizada aos 5 anos
de idade, pelo trabalho de minha mãe professora através dos métodos alfabéticos
ou misto. Não sei dizer ao certo. Só sei que tinha muitos livros infantis em
casa e isso, me incentivou ainda mais a ler e a escrever.
O
que há de diferente ou novo, da forma em que ensina para a forma em que você
foi ensinada?
Os métodos são outros. Hoje
tentamos introduzir o método do letramento através dos meios utilizados citados
nas respostas acima. E o que posso dizer é que não há métodos definidos ou
pré-estabelecidos para se alcançar o alvo que é o ensino e a aprendizagem de
nossas crianças. O que acaba causando certa confusão na mente de alguns
profissionais tão acostumados aos métodos antigos.
Puxando
pela memória, e voltando um pouco ao passado, como era a escola onde estudou,
os professores e os métodos de ensino-aprendizagem que te ajudaram a aprender?
Estudei na mesma escola que
dou aula hoje. O método utilizado antes era a alfabetização através do método
sintético. Todas as crianças, inclusive eu saímos de lá lendo e escrevendo
muito bem. Minha professora, além da minha mãe, era um amor! Temos contato até
hoje. Creio que quando as crianças são rodeadas de carinho e assistência, elas
se desenvolvem e produzem melhor. E foi o que aconteceu comigo!
E
você, alguma vez repetiu de ano?
Não. Sempre gostei muito de
estudar.
De
lá para cá, o que realmente mudou em relação à profissão? E o que mudou com
relação à Educação como um todo no Brasil (avanços, retrocessos e desafios)?
A Educação retrocedeu
bastante, pois fui para o ensino fundamental no ano 2000 e vejo que hoje em dia
as escolas não dão o apoio educacional específico que a área pede. Percebo de
fato, que a educação pede socorro. E é muito difícil reverter este quadro,
porém não impossível.
E a
partir do seu ponto de vista, onde ou que precisa melhorar?
Tornar a Educação Infantil em uma verdadeira
educação: com qualidade. Pois, para se fortalecer o Ensino Médio, precisa – se
melhorar o Ensino Fundamental. E para melhorar o Ensino Fundamental, precisa –
se rever e investir nos conceitos lúdicos e textuais da Educação Infantil.
Traduzindo: ensinando nossos pequenos desde cedo.
O
DESAFIO DE SER PROFESSOR FRENTE À EDUCAÇÃO INFANTIL NOS DIAS DE HOJE.
Ensinar não é
e nem nunca foi uma tarefa fácil. Ainda mais nos dias atuais, onde a informação
tecnológica sempre chega primeiro. E com certeza, diante desta nova realidade,
não temos como utilizar os velhos métodos de ensino-aprendizagem para esta nova
geração de crianças.
De acordo com as depoentes,
observa – se que todas elas foram direcionadas para esta área por amor... Amor
por suas crianças e principalmente, amor pelo que faz. Porque ser professor vai
muito além do que estar em sala de aula ministrando conteúdos e principalmente
ser professor na Educação Infantil, independente de altos salários ou
reconhecimento social.
É claro que os
métodos pelos quais elas foram alfabetizadas ficaram ultrapassados e muitos
deles, já nem se usa mais, como é o caso das cartilhas a qual as entrevistadas
relembram.
Hoje em dia, o
profissional docente tem que estar muito mais capacitado para perceber e
atender as necessidades do seu aluno. Sem se esquecer é claro, de respeitar sua
capacidade, suas limitações e o principal, sua individualidade. E para isto, se
faz necessário o conhecimento e a utilização de vários meios e métodos didáticos
para que possamos despertar em nossos discentes a curiosidade sobre aquilo que
queremos ensiná-lo: quer seja instigado através de músicas, quer seja por
faz de conta ou simplesmente através de uma brincadeira.
Que nós sejamos
a ponte entre o conhecimento e o aluno, para que ele o pequeno aprendiz, possa
fazer esta passagem da melhor maneira possível, através da nossa mediação com
métodos que o coloque sempre como protagonista desse processo o qual será ensino
da língua escrita e sua alfabetização.
Que não
sejamos nós temidos por nossas crianças, como os conceitos pedagógicos de
antigamente e seus anunciantes. Sejamos sim, claros e coesos sempre, naquilo
que devemos transmitir a eles. E sem cara feia, se possível.
Contudo, algo
chamou - me a atenção no depoimento primeiro: “você tem que ser resiliente...”
(disse a entrevistada).
Confesso que
até aquele momento, era desconhecido para mim seu significado ou grafia. Então
fui debruçar - me em pesquisa para descobri o que seria essa tal resiliência a
qual aguçava tamanha curiosidade. Portanto, ei - la aí sanada:
“O conceito de resiliência não é simples. O termo é definido
comumente como a capacidade de superar as circunstâncias difíceis. Esse é o
traço que nos permite existir neste mundo perfeito, enquanto caminhamos para
frente com otimismo e confiança, mesmo em meio à adversidade”. Existe um “fator
de rebote” que é inerente e está descrito em quase todas as definições de
resiliência – é a capacidade de recuperação ou fator de endireitamento que
permite a algumas crianças e adultos lidar de modo mais eficaz com desafios.
(Ginsburg. 2006, p. 4 e Kostelnik. 2013, p.150).
E com esta
mesma “capacidade de superar desafios”, a nossa Educação atravessou o tempo e
seja rico ou podre, mulher ou homem, deficientes ou não, ela chegou a todos nos
dias de hoje: sem fazer distinção de classe social ou credo religioso, tornou –
se inclusiva. Deixou de ser elitizada, e pública ou privada, tornou-se
acessível a quem possa interessar.
Para nós, profissionais docentes que
ingressaremos agora nesta área ou até mesmo, para aqueles, que já atuam e por
isso, traz consigo alguma bagagem: tenhamos enxertado em nós todos os dias essa
resiliência, para que possamos atingir nosso alvo que é a aprendizagem dos
nossos alunos. E também para que as nossas crianças tenham sempre o melhor de
nós, para que o próprio tempo e a História da nossa Educação só venham
ratificar isto, por que :
“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar
para mudar o mundo”.
Disse Nelson Mandela.
Considerações
Finais
Por meio da realização desta
pesquisa, notou - se que à medida que o tempo passou meninas que desde então
eram excluídas, acabou ganhando espaço nas escolas para também terem a chance
de aprender. E as mesmas cresceram e se tornaram mulheres, mães de família,
donas de casa. Enfim, a oportunidade que tiveram, não poderia ficar restrita
apenas em complemento à fazeres domésticos. Já que trabalhar fora de casa não
era permitido, então elas começaram a conciliar o cuidar da casa, marido e
filhos, também com o cuidado de ensinar o que sabia. Leigas ou letradas, pobres
ou ricas, assim a mulher foi ingressando sorrateiramente no ofício de
professora.
Enquanto os homens iam a cada dia se
distanciando da carreira docente, as mulheres finalmente saíam do
enclausuramento de suas casas e firmavam se nas salas de aulas. A conquista de
sua profissionalização foi o primeiro passo, dentro da sociedade a qual sempre
a excluíra.
Embora, tenha passado por
diversas reformas e governos, a Educação Infantil e a profissionalização
docente de maneira geral, tiveram avanços bem significativos na legislação: no
que diz respeito à igualdade de direitos e reconhecimento da criança como
cidadã. Também melhoramos no âmbito educacional, já é exigência um curso
superior para os profissionais da área da educação e, também hoje em dia,
nossas crianças ingressam aos quatro anos de idade nas escolas. Entretanto, ainda
temos muito em que melhorar como: locais apropriados para elas, por exemplo.
Concluímos que há uma
estagnação na valorização do profissional. Pois, frente às mudanças, ele
precisou se qualificar mais. Porém, para o Estado, os mesmos nunca estiveram em
pauta como uma de suas prioridades. Pelo contrário, Ele (o Estado) foi se
adaptando à medida que lhe foi conveniente. Mas educar é isso... É superar
desafios todos os dias para seguir adiante.
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EDUCAÇÃO E DA PEDAGOGIA. São Paulo, Editora Moderna, 2015.

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